Os temores, opiniões e experiências sobre abuso e assédio sexual divergem de acordo com o gênero no Brasil

Movimentos recentes com foco na denúncia de abusos sexuais como #meuamigosecreto, #metoo (eu também, em português) e “mexeu com uma, mexeu com todas” buscaram colocar em evidência o quão comum é o abuso e o assédio sexual contra mulheres e meninas.

Seja no ambiente doméstico, de trabalho ou mesmo no transporte público, o risco de sofrer esse tipo de violência é constante. Embora os homens, especialmente os meninos, também possam ser alvo de violência sexual, as mulheres são as maiores vítimas de abuso. De acordo com a agência das Nações Unidas para Mulheres, a ONU Mulheres, a cada minuto 9 mulheres são tocadas ou agredidas fisicamente por motivos sexuais no Brasil.

E esse agravante para as mulheres fica evidente em alguns dos resultados do aplicativo. Quando perguntados “Você já sofreu abuso sexual?”, 20% dos usuários do app dizem que sim. Na análise por gênero, no entanto, 12,8% dos homens responderam afirmativamente. Já entre as mulheres, a porcentagem de vítimas chega a 28,8%. O Quinto aborda esse tema delicado, e importante, por meio de questões que buscam compreender a percepção dos brasileiros e as experiências que já tiveram com essa terrível realidade. Confira alguns dos resultados.

O abuso sexual e o gênero

As percepções sobre a sociedade podem ser bem diferentes de acordo com o gênero, especialmente se o assunto for assédio. Enquanto, 82,3% das mulheres – a maioria esmagadora – acredita que o Brasil vive a cultura do estupro, mais da metade dos homens (51%) discordam. Segundo a Organização das Nações Unidas, a “cultura do estupro” é o termo usado para abordar as maneiras como a sociedade culpa as vítimas de assédio sexual e normaliza o comportamento sexual violento dos homens. O resultado do app sugere que mudanças nessa situação, ao menos da parte dos homens, podem ainda estar distantes, já que a maioria nem reconhece o problema.

Os temores em relação à possibilidade de sofrer abuso sexual também são diferentes para homens e mulheres. Quando perguntados “Você tem medo de sofrer assédio/abuso sexual no consultório médico?”, apenas 16,7% dos homens respondem afirmativamente. Enquanto entre as mulheres, o medo é relatado por 57,4%. Quando o cenário é o ambiente de trabalho, 48% das mulheres afirmam já terem sido vítimas de assédio (moral ou sexual). Entre os homens, o percentual de vítimas é de 21,7%. Já no Carnaval, enquanto apenas 15,1% dos homens relatam terem sofrido assédio, 43,4% das mulheres afirmam já terem sido alvo desse tipo de situação durante as festividades.

O abuso e assédio sexual no cotidiano

Placa informativa em ônibus sinaliza que é proibido o assédio

Transporte coletivo é um dos espaços cotidianos em que mulheres estão sujeitas ao abuso sexual.

Infelizmente, as situações em que o abuso sexual ocorrem são diversas. Por exemplo, 33% dos usuários do Quinto revelam já terem sofrido ou presenciado assédio sexual por parte de professores. Os grandes eventos, como festivais, seriam outro espaço de insegurança. Isso porque 93% dos usuários do app acreditam que mulheres correm o risco de sofrer mais assédio em grandes eventos.

Nem mesmo o transporte coletivo é seguro. De acordo com a pesquisa “Percepção sobre Segurança das Mulheres nos Transportes”, dos Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, 97% das entrevistadas relataram terem sido vítimas de assédio nos meios de transporte. Com isso, o Quinto questionou seus usuários: “O transporte público deve ter áreas exclusivas para mulheres?”, sendo que 55% responderam que sim.

Quando o abuso vem disfarçado de amor

Mulher com mão em posição de impedimento que cobre sua face

Maioria acredita que conseguiria identificar um relacionamento; porcentagem de vítimas entre as mulheres é maior.

As relações amorosas deveriam ser um espaço de afetividade e segurança. No entanto, é no próprio companheiro (a) que muitos encontram seu abusador (a). De forma geral, 31% dos usuários do app afirmam que já estiveram em um relacionamento abusivo. Analisando por gênero, 36,7% das mulheres responderam afirmativamente, contra 25,5% dos homens.

Embora as dinâmicas que levam ao relacionamento abusivo sejam complexas, 86% dos usuários da rede social acreditam que saberiam identificar caso estivessem em um relacionamento abusivo.

O amparo legal para as vítimas

O apoio às vítimas de abuso e assédio sexual é um aspecto essencial para estimular as denuncias. No entanto, o Brasil ainda enfrenta uma série de obstáculos nesse quesito. O tratamento dado às vítimas durante o processo legal em crimes de estupro seria um desses problemas. Advogados de defesa, por exemplo, já teriam utilizado o histórico sexual ou de comportamento das vítimas para constrangê-las durante julgamentos. Dessa forma, o Quinto questionou “A análise da conduta pessoal das vítimas deve ser proibida em julgamentos de estupro?”, sendo que 72% dos usuários da rede concordam com essa medida.

Outro marco legal conquistado pelas vítimas de estupro foi o direito ao aborto legal, instituído no Código Penal de 1940. Embora alguns grupos conservadores articulem restrições a esse direito, 90% dos usuários do Quinto afirmam concordar com o aborto legal em casos de estupro.

Você não está sozinho (a)!

Pedir ajuda não é uma decisão fácil, mas pode ser a melhor maneira de preservar ou restituir sua saúde física e mental. Além das forças policiais, outros canais para denunciar a violência são o serviços telefônicos Disque 100 (voltado para proteção a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual) e o Disque 180, a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência.

Para algumas vítimas, a compreensão da situação de abuso que viviam ou a coragem para denunciá-lo podem vir após a exposição de casos com famosos. Por isso, o Quinto traz nesta semana a pergunta: “Famosos que revelam ter sofrido assédio/abuso encorajam vítimas a denunciar?”. Para votar, debater e compartilhar, é só acessar o app. Participe!

 

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Silhueta de pessoa com mãos em vidro