Questionada sobre terapias alternativas como homeopatia, ortomolecular e até ozonioterapia, maioria diz acreditar em sua eficácia e topa passar pelos tratamentos

Há milhares de anos, o ser humano busca diferentes formas de cuidar das dores físicas e mentais que nos afligem. Com o avanço da Ciência, alguns métodos foram consolidados na medicina convencional, enquanto outros foram relegados à categoria de “alternativos”. O rótulo pode ser empregado para técnicas sem comprovação de eficácia e também para as chamadas terapias complementares, que têm resultados para o bem-estar global dos pacientes cada vez mais reconhecidos. Em 2006, o Ministério da Saúde do Brasil instituiu a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que oferece 29 tipos de terapias gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O termo “alternativas” acaba por englobar uma gama muito variada de tratamentos, com níveis diferentes de reconhecimento pela comunidade médica. No entanto, o nível de confiança da população nessas técnicas parece alto, independente do método. O Quinto tem uma série de perguntas que abordam como a sociedade pensa sobre essas terapias e seus benefícios. Já podemos adiantar que a maioria das terapias alternativas tem grande aceitabilidade entre os usuários. Confira.

O poder das plantas

 

Jovem loira segura copo de madeira ao ar livre

Uma das terapias alternativas mais comuns é a que utiliza plantas medicinais. Afinal de contas, quem nunca tomou um chá de boldo para o estômago ou de guaco para um resfriado? Entre os usuários do Quinto, 93% acreditam no poder das plantas medicinais.

O uso da flora, embora possa de fato beneficiar a saúde, precisa de alguns cuidados. Por isso, o Ministério da Saúde mantém o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que oferece o tratamento em unidades do SUS e tem como objetivo “garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional”.

Doses homeopáticas?

A homeopatia usa doses hiper diluídas para tratar uma série de enfermidades, especialmente aquelas ligadas ao estado emocional das pessoas. Ela é vista pelos adeptos como um tratamento que aborda o paciente como um todo e inclusive é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. No entanto, sua eficácia não é unanimidade na comunidade científica, sendo que seus efeitos na melhora do bem-estar são apontados por alguns como “efeito placebo”.

O chamado efeito placebo ocorre quando um medicamento ou terapia sem eficácia produzem resultados positivos devido ao psicológico e crenças pessoais do paciente. No Quinto, porém, 71% dos usuários afirmam acreditar na eficácia do medicamentos homeopáticos. Além disso, 68% usam ou usariam produtos homeopáticos.

A milenar acupuntura

Mãos femininas aplicam agulhas nas costas de uma pessoa

A acupuntura é outra polêmica entre as terapias alternativas, mas reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina. Ela é originária da medicina milenar chinesa, sendo inclusive um Patrimônio Cultural Intangível da Humanidade, declarado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

A técnica consiste na aplicação de pequenas agulhas pelo corpo do paciente e é aplicada para uma variedade considerável de enfermidades. Enquanto sua eficácia é questionada pela ciência, muitos pacientes relatam benefícios após o tratamento. Entre os usuários do Quinto, 71% afirmam confiar nos efeitos da acupuntura.

A controversa ozonioterapia

Em meio à pandemia de coronavírus, o prefeito de Itajaí (SC) ganhou os holofotes ao defender o uso de ozonioterapia no tratamento da Covid-19. A técnica propõe a inserção de ozônio no organismo por diferentes vias, como retal e subcutânea. Sua aplicação teria efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios, conforme seus defensores.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) determinou que a ozonioterapia só pode ser aplicada em caráter experimental e a comunidade científica alerta que seu uso possui uma série de riscos. Apesar disso, o tratamento consta na lista de Práticas Integrativas e Complementares do Ministério da Saúde. No Quinto, 67% dos usuários afirmam que fariam tratamento de ozonioterapia.

Tratamento ortomolecular

A terapia alternativa ortomolecular busca o “equilíbrio do organismo humano” por meio do uso de biomoléculas com a ingestão de vitaminas, minerais, aminoácidos e ácidos graxos. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, a técnica não pode ser considerada uma especialidade, porém é permitido seu uso em tratamentos como correção nutricional e de hábitos de vida.

A resolução diz ainda que os tratamentos de possíveis deficiências ou excessos de nutrientes devem ser embasados por evidências clínico-epidemiológicas. Novamente demonstrando a receptividade da sociedade às terapias alternativas, 86% dos usuários do Quinto dizem acreditar na eficiência do tratamento ortomolecular.

Ampla aceitação das terapias alternativas

As pessoas parecem realmente abertas aos métodos alternativos de tratamento. Até mesmo a auto-hemoterapia encontra público. Entre os usuários do Quinto, 64% afirmaram acreditar na eficiência da auto-hemoterapia. A técnica consiste na retirada de sangue de uma pessoa e sua consequente reinserção nela própria.

De acordo com seus defensores, a terapia estimula o sistema imunológico do paciente ajudando na cura e tratamento de diversas doenças, como condições autoimunes. Enquanto órgãos como o Conselho Federal de Medicina, o Conselho Federal de Enfermagem do Brasil e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomendam o tratamento e alertam que ele possui uma série de riscos.

Relax

Menos polêmicas, as terapias alternativas que promovem o bem-estar mental são cada vez mais difundidas. No Quinto, 87% dos usuários afirmam acreditar que a meditação pode ajudar a aliviar o estresse. Além disso, 87% também acreditam no yoga como prática terapêutica. Parece que o pessoal do Quinto está mesmo em busca de relaxamento. Inspira e expira!

Práticas Integrativas e Complementares (PICS)

É possível conferir todas as Práticas Integrativas e Complementares (PICS) oferecidas pelo SUS no site do Ministério da Saúde. De acordo com o órgão, o objetivo do programa é a integração do ser humano com o meio ambiente e sociedade, promovendo um tratamento global. O ministério afirma ainda que “evidências científicas têm mostrado os benefícios do tratamento integrado entre medicina convencional e práticas integrativas e complementares”.

Para quem se interessa pelo assunto, uma dica é pesquisar a fundo essas técnicas, não apenas em conteúdos produzidos por quem as promove, mas também de críticos. Verificar com os órgãos reguladores (como Anvisa, Conselho Federal de Medicina, etc), quais os riscos e recomendações também é outra orientação importante para utilizar as terapias alternativas com segurança.

Opinião coletiva

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