Na decisão de compra, 72% deixariam de comprar marcas acusadas de preconceito e 69% não mais consumiriam as com baixo índice de bem-estar animal

As escolhas de compra de um consumidor envolvem diversos fatores. Os mais conhecidos são a avaliação do produto diretamente e seu valor, ou seja, sua qualidade, características e simpatia ao gosto do cliente, assim como o preço. No entanto, outras questões podem influenciar na decisão de compra, como por exemplo a relação com a marca.

Em tempos cada vez mais politizados, consumidores buscam fazer escolhas conscientes e desejam empresas alinhadas com seus valores. Porém, quais são esses valores que têm o poder de encantar ou repudiar os consumidores? Os resultados do Quinto revelam quais posturas das empresas podem ser decisivas na hora da compra. As respostas indicam um consumidor disposto a usar seu poder de boicote e que exige determinadas posturas das corporações. Confira!

A decisão de compra e o boicote como forma de posicionamento

Mulher e homem com criança observam vitrine em shopping

Enquanto cidadão isolado alguém pode se sentir inapto a enfrentar posturas antiéticas de grandes corporações. No entanto, são cada vez mais comuns movimentos de boicote que transformam uma voz aparentemente isolada em um prejuízo considerável para as empresas. Assim, muitos consumidores têm compreendido que possuem “em sua carteira” o poder de mudar posturas.

O movimento Sleeping Giants, que surgiu nos Estados Unidos, mas que já possui atuação no Brasil, identifica empresas que possuem anúncios em sites que propagam fake news. O trabalho já fez com que diversas corporações anunciassem que tomariam mais cuidado com os portais nos quais suas publicidades aparecem e tem influenciado na monetização destes sites. A mudança de postura parece acertada, uma vez que os consumidores estariam dispostos a parar de comprar dessas empresas. Entre os usuários do Quinto, 78% afirmaram que são a favor de boicotar marcas patrocinadoras de sites com fakes news.

O cuidado com o conteúdo das propagandas e a abordagem da diversidade dentro das companhias também merece atenção das empresas. Isso porque 72% dos usuários responderam que deixam ou deixariam de comprar marcas acusadas de preconceito. Um sinal de que o empenho em políticas de diversidade para as corporações e seus materiais de comunicação são um investimento na própria marca.

Empresas amigas dos animais

O bem-estar animal ao longo do processo de produção também passa a preocupar na hora da decisão de compra. Mesmo as empresas que trabalham diretamente com produtos de origem animal, e quem têm em seus processos o manejo com bichos para abate por exemplo, podem adotar medidas mitigadoras do sofrimento, como conforto térmico, alimentação nutritiva, acesso à água, manter os animais fora de gaiolas e espaços confinados, fazer abate humanizado, entre outros. Esse tipo de atitude parece ressoar entre os consumidores, sendo que 69% dos usuários do Quinto deixaram ou deixariam de consumir marcas com baixo índice de bem-estar animal.

Os testes em animais são outro ponto que deve ser repensado pelas empresas. Entre os usuários do Quinto, 52% afirmaram que se preocupam com a conduta de testes das marcas de cosméticos que usam. Além disso, 58% não concordam com o uso de animais para testes científicos. Uma postura corporativa amigável aos animais também passa uma boa impressão, sendo que 70% concordam que empresas permitam animais no ambiente de trabalho.

Causas sociais como parte da identidade da marca

Mulher em corredor de supermercado analisando dois produtos

Já que valores éticos são tão importantes para os consumidores, será que incorporar causas sociais na própria identidade da marca é uma boa ideia? Empoderamento feminino, diversidade de identidade sexual, de gênero e racial, além da inclusão de pessoas com deficiência passaram a se tornar mais comuns nas campanhas.

A aposta pode ser arriscada ao “alienar” uma parte mais conservadora do público. A marca Boticário, por exemplo, chegou a ter uma campanha que mostrava casais homossexuais denunciada ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) por supostos clientes descontentes. O conselho de ética do órgão, no entanto, rejeitou o pedido de suspensão de veiculação do comercial. Entre os usuários do Quinto, há abertura para esse tipo de campanha. Quando perguntados: “você concorda que marcas usem causas sociais em campanhas?”, 62% responderam que sim.

Inclusão nas empresas

Os consumidores também indicam valorizar a inclusão dentro dos ambientes corporativos, muito além das campanhas e propagandas externas, demonstrando porém algumas limitações. Por exemplo, 53% dos usuários do Quinto concordam que empresas realizem processos seletivos apenas para negros, e 66% são contrários a um projeto que desobrigaria empresas a manter cotas para deficientes. No entanto, 60% são contra cotas de gênero nas empresas e órgãos públicos.

Meio ambiente em pauta

O Quinto continua o debate sobre as influências na decisão de compra dos consumidores com a questão “Você deixou / deixaria de comprar de marcas que prejudicam o meio ambiente?”. A pergunta acabou de entrar no ar e por enquanto 75% dizem que sim. Quer dar a sua opinião? Corre para o app, vote e participe das discussões.

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Vote no Quinto

Pessoa com cesta de compras em corredor de supermercado