Fatores de risco para o suicídio como ansiedade e depressão atingem ou já atingiram a maioria dos usuários do app

A cada 40 segundos uma pessoa morre no mundo em decorrência de suicídio, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Muitas dessas mortes poderiam ser evitadas com a adoção de medidas de acolhimento, uma vez que 96,8% dos casos de suicídio estariam relacionados a transtornos mentais como depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias. Para divulgar a importância da saúde mental e alertar sobre essa epidemia silenciosa, foi criado o Dia Mundial para Prevenção do Suicídio, lembrado em 10 de setembro. A data deu origem, no Brasil, à campanha Setembro Amarelo, promovida oficialmente desde 2014 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). O objetivo é alertar para os fatores de risco e sinais de alerta, além de reduzir o estigma acerca das doenças mentais.

Embora a campanha tenha se popularizado nas redes sociais, muitos ainda se sentem constrangidos a esconderem o problema, que é muito mais comum do que se imagina. Entre os usuários do Quinto, 56% afirmam que já tiveram pensamentos suicidas. O dado evidencia que a sensação de isolamento que sentem aqueles que sofrem com idealizações suicidas é na verdade ilusória, pois grande partes das pessoas já estiveram na mesma situação em algum momento da vida. A prevenção ao suicídio, e a valorização da saúde mental como um todo, são assuntos que devem envolver toda a sociedade. Por isso, o Quinto tem uma série de perguntas que debatem o tema. Confira alguns dos resultados, que nos ajudam a compreender melhor como a sociedade enxerga a saúde mental e o suicídio.

Imagem retrata paciente e terapeuta, somente as mãos dos dois aparecem, sentados frente a frente

Saúde mental e prevenção ao suicídio

Apontados como principais fatores de risco para o suicídio, os transtornos mentais devem ser encarados pela sociedade que precisa promover ações de saúde pública para preveni-los e tratá-los. Entre os usuários do app, 54% afirmam que têm ou já tiveram depressão. Enquanto, 70% admitem sofrer de ansiedade. No entanto, 55% afirmam que não fizeram ou fazem terapia, tratamento considerado aconselhável no acompanhamento desses tipos de transtornos.

Você é feliz?

Um dos pontos mais complexos que integram a saúde mental é a felicidade. Assim, a pergunta “Você é feliz?” parece simples, mas pode ser multifacetada. A definição de felicidade é um conceito que intriga de filósofos a profissionais de saúde, mas há uma percepção geral de que ela não é obtida apenas quando “tudo está perfeito”. E sim quando os aspectos bons da vida superam o maus ou se adota uma perspectiva positiva sobre eles. Os usuários do app parecem incorporar essa percepção ao observarmos que 77% se consideram felizes. No entanto, 59% dizem não estarem felizes com seus corpos e 38% estão insatisfeitos em suas profissões.

Ninguém é uma ilha

O desejo de ser apreciado e de compartilhar momentos afetivos é inerente ao ser humano e parte essencial de uma boa saúde mental. Porém, admitir essa necessidade nem sempre é fácil. Entre os usuários do Quinto, 37% afirmam que se esforçam para que os outros gostem deles e 43% afirmam que são solitários. Resultados que merecem atenção, mesmo não sendo maioria.

Para os solitários, tentar fazer amigos e manter boas relações com familiares é sempre uma boa dica. Porém, especialmente em tempos de pandemia, caso esteja precisando de alguém para desabafar, a terapia também pode ajudar bastante. Em momentos emergenciais, o Centro de Valorização da Vida (CVV) é outra opção de “ouvido” amigo pelo número 188.

No seio familiar

Ainda no campo das relações humanas, a família tem participação importante nos fatores de risco, mas também na prevenção ao suicídio. Entre os usuários do Quinto, no entanto, as relações familiares parecem mais benéficas do que prejudiciais. Ao serem perguntados “Você tem um bom relacionamento com seus parentes?”, 74% disseram que sim. Da mesma forma, 90% dizem que têm ou tiveram um bom relacionamento com sua mãe e 75% têm ou tiveram um bom relacionamento com o pai.

Relações passionais

Estar apaixonado é uma sensação maravilhosa, mas é também uma garantia de felicidade e boa saúde mental? Não necessariamente. Entre os usuários do app, por exemplo, 31% já estiveram em um relacionamento abusivo. Porém, a comunidade do Quinto parece compreender a necessidade de uma boa qualidade nos relacionamentos: 92% consideram necessário discutir a relação – uma prática aconselhada pelos profissionais da saúde. Outro ponto positivo, é que os usuários do app parecem conscientes sobre os riscos das relações abusivas, sendo que 85% acreditam que saberiam identificar se estivessem em uma.

É importante destacar, ainda, o papel que um convívio saudável com a sexualidade desempenha na saúde mental. Entre os usuários do Quinto, 59% se consideram sexualmente satisfeitos.

A saúde mental nas redes

 

Dois emojis de smiles, um sorridente e o outro triste

As redes sociais passaram a ocupar um espaço significativo na vida das pessoas, naturalmente reproduzindo as dinâmicas que ocorrem no universo offline, mas também amplificando algumas situações. Nas redes, as comparações acabam sendo inevitáveis quando são postados os melhores ângulos e momentos. Com isso, 92% dos nossos usuários, por exemplo, avaliam que os os famosos das redes sociais influenciam padrões estéticos e 35% chega a admitir que os filtros de redes sociais estão impactando negativamente sua autoestima.

Além disso, o uso da internet se tornou tão importante para algumas pessoas, que ficar sem o aparelho celular provoca desconforto. Entre os usuários do Quinto, 59% afirmam serem reféns do celular e 59% afirmam que esquecer o aparelho causa ansiedade.

Como apoiar a prevenção ao suicídio e onde procurar ajuda

Todos podem ser amplificadores da campanha Setembro Amarelo, seja em sua empresa, escola ou no círculo familiar e de amigos. No site oficial da iniciativa há uma variedade de materiais para quem deseja contribuir. Se por outro lado, você precisa de ajuda, não hesite em procurar auxílio ou pedir socorro. Amigos e familiares formam uma boa rede de apoio, mas a intervenção de profissionais pode ser essencial. Psicólogos, psiquiatras e demais profissionais de saúde podem ser grandes aliados.

Caso você não tenha recursos financeiros para acessar esses serviços, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a Política Nacional de Saúde Mental, que conta com uma rede de serviços espalhados pelo país. Você pode conferir quais estão disponíveis em sua cidade. Outra opção é procurar serviços de atendimento gratuitos que podem ser ofertados por universidades locais e ongs.

E funciona?

O empenho nas campanhas de prevenção pode muitas vezes esbarrar no ceticismo. Afinal de contas, temas complexos como esse envolvem políticas públicas e questões sociais, que vão muito além da conscientização por meio de ações educativas. Por isso, questionamos em nosso app: “Você acredita que a campanha do setembro amarelo é eficaz para a prevenção do suicídio?”. Por enquanto, 63% afirmam que não. Apesar do pessimismo da maioria, até o momento, destacamos o comentário de um de nossos usuários na área de debates: “Se ajudar a salvar uma pessoa já valeu a pena”. Concorda?

Debater faz bem

Quer participar deste e de outros debates que contribuem para a construção da opinião coletiva? Então baixe o aplicativo do Quinto, vote e comente.

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Mulher segura a mão de outra