39% dos usuários do Quinto admitem que não costumam usar preservativo; como pensa a sociedade sobre a prática do sexo seguro?

Os recursos para a prática do sexo seguro estão mais acessíveis do que nunca. No entanto, todos os dias são registrados no mundo mais de 1 milhão de casos de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) curáveis como clamídia, gonorreia, tricomoníase e sífilis, de acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, o número de casos de sífilis tem preocupado as autoridades e a quantidade de diagnósticos de HIV continua alta entre os jovens. Com tanta informação, por que as pessoas continuam se expondo a comportamentos de risco? Para entender como a sociedade brasileira encara o sexo seguro, o Quinto fez uma série de perguntas sobre o tema que envolve saúde pública, sexualidade, comportamento e cidadania. E um dado alarmante para começarmos essa importante discussão: 39% dos usuários responderam que costumam praticar sexo sem camisinha. Preocupante, não é?

DSTs x IST

Antes de tudo, que tal “traduzir” essas siglas ? O termo Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) é o mais conhecido quando falamos das enfermidades que podem ser passadas durante a relação sexual. Essas doenças podem ser provocadas por vírus, bactérias e microorganismos. Recentemente, as autoridades de Saúde do Brasil e do mundo passaram a utilizar a terminologia Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Segundo o Ministério da Saúde, essa mudança “destaca a possibilidade de uma pessoa ter e transmitir uma infecção, mesmo sem sinais e sintomas”. Ou seja, os termos IST e DST se referem ao mesmo problema, sendo um mais popularizado e o outro mais técnico.

Camisinha, camisa de vênus, preservativo

 

camisinha em dedo fazendo sinal de positivo

Com relatos de uso desde a antiguidade, os preservativos de barreira passaram por várias inovações tecnológicas até chegar ao que hoje chamamos no Brasil de “camisinha”. De acordo com especialistas em saúde, o preservativo é a forma mais recomendada de praticar sexo seguro, evitando a transmissão de DSTs. Há modelos de preservativos para o pênis e para a vagina, sendo que o tipo masculino é imensamente mais popular e utilizado. Apesar de pouco presente no cotidiano, 58% dos nossos usuários acreditam que a camisinha feminina dá mais independência à mulher.

Como já mencionado, 39% dos usuários do app admitem que não costumam se proteger. Segundo especialistas, há alguns motivos que levam a esse comportamento de risco. Entre eles, estão concepções culturais equivocadas sobre sexualidade, como a visão de que o uso do preservativo demonstraria desconfiança no parceiro e de que a camisinha diminui o prazer. A falta de informações sobre os riscos ainda existentes também é um problema. Com o advento de tratamentos para pessoas que vivem com HIV, muitos passaram a ter menos medo da doença, ignorando que há outras enfermidades transmitidas pela relação sexual.

Por outro lado, o acesso aos preservativos também constitui um problema. No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) distribui milhões de preservativos gratuitamente, o que extingue as barreiras financeiras. No entanto, há quem não consiga chegar aos serviços de saúde devido a barreiras sociais e religiosas, por exemplo. Uma pequena parcela de homens e mulheres podem apresentar ainda alergia ao uso da camisinha convencional, feita de látex, o que faz com que tenham de adquirir produtos especiais. Felizmente, a maior parte dos nossos usuários não vê problemas no contraceptivo público, sendo que 62% dizem que usam / usariam camisinha distribuída gratuitamente.

Isso só acontece com os outros?

Casal debaixo de coberta e a mulher segura uma camisinha

84% dos nossos usuários disseram que se preocupam com DSTs na hora do sexo e 96% dizem que não têm ou tiveram DSTs. Mas será que os infectados sabem que possuem uma DST? De acordo com estimativa de 2019 do Ministério da Saúde, 135 mil pessoas vivem com HIV no Brasil e não sabem. Além disso, a OMS alerta que as principais infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) não apresentam sintomas no início. Para especialistas, o ideal é procurar os serviços de saúde sempre que tiver um contato sexual desprotegido para fazer os testes necessários. Entre os usuários do app, 80% dizem que já fizeram ou fariam teste de HIV, demonstrando uma abertura ao tema.

Segundo o Boletim Epidemiológico HIV/AIDS de 2019, a maioria dos casos de infecção pelo HIV encontra-se na faixa de 20 a 34 anos, levantamento referente ao período de 2007 a junho de 2019. Especialistas em psicologia apontam que nessa fase da vida a sensação de que as coisas ruins “acontecem apenas com os outros” contribui para que os jovens adotem comportamentos de risco. Esse problema é identificado pelos usuários do Quinto, sendo que 75% acreditam que os jovens não têm consciência dos riscos do HIV.

Contra DSTs, informação é proteção

A melhor maneira de garantir que as pessoas se protejam é que elas saibam como fazer isso e os motivos pelos quais a proteção é necessária. Isso tudo envolve informação e educação sexual, que são papeis da família e da sociedade. No entanto, entre nossos usuários, 69% afirmam que não conversam ou conversavam com os pais sobre o assunto.

De acordo com especialistas, tornar o ambiente familiar um espaço seguro para falar sobre sexo forma jovens mais bem informados e com maior acesso aos recursos emocionais e práticos para se proteger. Em um contexto em que a maioria dos pais não tem diálogo sobre o assunto – por falta de informação, inabilidade, vergonha ou desinteresse – a escola poderia assumir esse papel. A questão, no entanto, é polêmica, pois para alguns setores da sociedade apenas a família deveria optar por introduzir o tema. Entre os usuários do Quinto, porém, a compreensão é de que o tema deve estar nas salas de aula: 78% concordam com a educação sexual nas escolas.

Para quem tem dúvidas sobre o assunto, gostaria de saber onde encontrar serviços de testagem gratuitos, preservativos, além de conhecer outras formas de proteção (como a profilaxia pré-exposição e a profilaxia pós-exposição) o Ministério da Saúde mantém o portal: http://www.aids.gov.br/.

O Quinto

O Quinto é uma rede social de opiniões reais, que ajuda na formação da opinião coletiva e que acredita em seu papel transformador na sociedade. Já conhece o app? Baixe o aplicativo e participe desse movimento.

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pacote de camisinha aberto em um fundo rosa