Pandemia se configura cada vez mais como grande mal do século XXI, colocando frente a frente perspectivas opostas aqui analisadas conforme votações no app de opinião coletiva

O planeta Terra vive sua maior crise desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A princípio, quanto maior a distância da China, mais longe a crise do coronavírus parecia estar, mas essa realidade não tardou a ser invertida. E hoje, enquanto os asiáticos retornam à normalidade aos poucos, países que estão literalmente do outro lado do mundo estão sofrendo as consequências da disseminação do vírus causador da covid-19. No Brasil, a pandemia caiu como uma bomba e, infelizmente, a sensação de medo e apreensão que tomou conta da população nas última semanas parece estar longe do fim.

A crise do coronavírus é algo sem precedentes para a atual geração. E como qualquer situação inédita, é difícil prever, se preparar ou mesmo saber como reagir diante dela. Com o número de mortos e casos confirmados aumentando a cada dia, mas ainda assim, uma sensação de desconhecimento do inimigo e do seu verdadeiro potencial, mesmo na era da informação, a tensão está, literalmente, no ar. E, como o assunto não sai dos noticiários e nem da cabeça de praticamente ninguém, o blog Somos Quinto desta semana reúne opiniões dos usuários do aplicativo a respeito das causas, impactos e perspectivas diante da pandemia de coronavírus. Confira!

Isolamento social

praia vazia na quarentena

Ruas vazias: distanciamento social é considerado o mais eficaz meio de conter a disseminação do vírus

O risco de contaminação pelo vírus causador da covid-19 levou a população a uma nova realidade. Não há mais trens e ônibus lotados, nem trânsito no horário de pico. O expediente passou a ser cumprido de pijama, dentro de casa. E os happy hours, agora, no máximo acontecem via teleconferência, cada um no seu respectivo canto. Trata-se do isolamento social, prática defendida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a melhor forma de conter a disseminação do coronavírus.

E, embora haja uma grande divergência política no Brasil em torno da questão, pelo menos entre os usuários do Quinto uma maioria avassaladora está seguindo a regra. Isso porque foram 90% os que responderam estar em isolamento social por conta da crise do coronavírus. A questão envolve não apenas a necessidade, mas também a possibilidade de se manter confinado. Isso porque nem todo mundo foi dispensado do trabalho ou tem como fazê-lo de maneira remota. Fato é que há dados que mostram que os índices de isolamento vêm caindo a cada dia em grandes centros do país, preocupando autoridades.

Na bolsa e no bolso

Mas o isolamento e a crise do coronavírus provocam apreensão não apenas pela questão da saúde. A quarentena e as incertezas sobre o futuro paralisaram a economia em escala global. O setor de serviços é o mais afetado, mas os impactos se alastram para praticamente todos os segmentos, resultando em menos circulação de dinheiro e, em casos mais extremos, demissões e diminuição da oferta de empregos. Somados, esses fatores podem surtir efeitos desastrosos principalmente para as classes sociais mais desfavorecidas.

Tamanha é a preocupação com o atual cenário que para 75% dos usuários do Quinto, a crise do coronavírus causará a pior recessão econômica da história. O Fundo Monetário Internacional (FMI), por exemplo, projeta que essa deverá ser a pior crise desde a grande depressão de 1929, superando até mesmo outras recessões que ficaram marcadas na história como a de 2008.

Testar é preciso

Tão logo o coronavírus começou a se disseminar pelo planeta, diversos países iniciaram a corrida para combatê-lo. E além das medidas adotadas para evitar a contaminação, há as frentes que trabalham na tentativa de cura e erradicação. Nesse sentido, a ferramenta que se mostra mais eficaz, porém, ainda distante de estar em nossas mãos é a vacina. Por isso, diversas autoridades têm entendido que é preciso cortar caminhos.

Sem tempo hábil e na luta para evitar que o número de mortos continue a crescer desenfreadamente, muitos países começaram a trabalhar em suas próprias vacinas. E os testes, em muitos lugares, têm acontecido diretamente em seres humanos, pulando a etapa das cobaias animais. Para a maioria dos usuários do Quinto, trata-se de uma decisão acertada, já que 70% disseram concordar com a realização dos testes diretamente nos humanos.

A origem do mal

mercado chinês de comidas exóticas

Cientistas afirmam que doença é de origem animal e governo chinês alega que ela começou no mercado de animais

Muito se comenta, mas pouco se sustenta sobre a origem definitiva do coronavírus. O governo chinês alega que a doença começou a se espalhar no mercado de animais de Wuhan, enquanto algumas correntes acusam o país até mesmo de ter “fabricado” o vírus em laboratório. Do ponto de vista científico, essa possibilidade foi descartada e até mesmo a OMS se pronunciou afirmando que a origem do coronavírus é animal.

Os argumentos científicos, porém, são constantemente colocados em xeque por várias correntes. E, inclusive, novas teorias parecem surgir a cada dia, muitas delas corroboradas até mesmo por autoridades políticas. Entre os usuários do Quinto, ela não representa a opinião da maioria, mas há uma boa parcela de adeptos da tese. Ao todo, 45% do público da plataforma disse acreditar, sim, que o coronavírus possa ter sido criado em laboratório.

A contrapartida

A crise do coronavírus alterou drasticamente a rotina das grandes cidades mundo afora. E apesar de todos seus impactos negativos, talvez em um aspecto essa mudança poderá trazer certos benefícios à humanidade. Trata-se da questão ambiental. E, ainda que seja temporário, esse benefício foi observado na China, por exemplo, o primeiro epicentro da doença que, durante a quarentena reduziu em 25% as sua emissões de dióxido de carbono.

Por outro lado, alguns especialistas consideram que essas mudanças pouco surtirão efeito a longo prazo. Além disso, há também os efeitos negativos nesse meio tempo, como o aumento na produção de lixo, especialmente o hospitalar. Entre vantagens e desvantagens, na visão do público do Quinto, a pandemia pode sim ser positiva do ponto de vista do meio ambiente. Foram 67% os que votaram SIM à pergunta em questão.

Diante de todos esses impactos e desdobramentos que a crise do coronavírus tem causado na sociedade, o blog Somos Quinto ouviu a antropóloga da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Rita Alves, para falar sobre a forma como a sociedade tem lidado com a questão. Confira!

Para marcar uma geração

“Certamente para todos nós haverá um antes e um depois dessa doença. O seu impacto marca todas as vidas da nossa geração e das pessoas que vivem esse momento. E, com certeza, essa pandemia trará impactos que teremos de avaliar nos próximos anos e, possivelmente, décadas”. Para Rita, ainda é impossível prever o impacto que a crise do coronavírus terá sobre a sociedade, mas ela já observa algumas das consequências. “Temos visto um pouco de solidariedade, preocupação com terceiros. Mas também há o individualismo, o distanciamento e o medo do outro já é perceptível. Não raro esse medo assume um caráter classista e até mesmo xenófobo”, pondera ela.

À moda brasileira

Não é segredo para ninguém que a crise do coronavírus parece ter outra dimensão no Brasil. Isso porque mesmo antes de a pandemia chegar por aqui, o país já enfrentava problemas de ordem política e econômica. “Nós já estávamos vivendo uma polarização intensa e a pandemia caiu nesse cenário”, analisa Rita.

Segundo a antropóloga, a politização torna o impacto da crise ainda mais característico no país. “Essa é uma questão muito forte no Brasil. Tem muito a ver com eleições. Por isso, também se dá nos Estados Unidos, que tem eleições presidenciais neste ano. Em outros países, ela não é tão visível. Na Argentina e no Canadá, por exemplo, forças progressistas e conservadoras se alinharam em torno das orientações da OMS e pautaram assim suas decisões”.

Revisão nos conceitos

Na avaliação de Rita, um dos principais conceitos a passar por uma mudança de paradigmas em meio à crise do coronavírus é a relação da sociedade com o consumo. “A partir da metade do século XIX, a felicidade se transforma em um dos motores do capitalismo, relacionada ao consumo. E essa questão, neste momento, talvez possa estar abalada”, pontua. Ela ressalta, porém, que não crê que o modelo capitalista seja colocado em xeque, mas talvez até mesmo saia fortalecido posteriormente, o que só será possível avaliar num recorte de tempo mais abrangente.

Aspectos como a relação entre segurança e liberdade e o entendimento da morte também devem passar por reavaliações, de acordo com Rita Alves. “Uma doença desconhecida que afeta várias classes sociais, mesmo as que se sentiam mais seguras. Além disso, o capitalismo alterou nossa relação com a morte, colocando-a debaixo do tapete e relegando-a aos hospitais, onde não vemos. É interessante ver como essa questão pode voltar com força para essa dimensão imaginária, simbólica e cultural do nosso cotidiano”, comenta ela.

Participe!

O Quinto tem feito uma cobertura dinâmica dos desdobramentos da pandemia de coronavírus. Com os impactos e novos elementos sobre o assunto, diversas questões relacionadas ao tema têm sido abordadas no aplicativo, o que permite que você manifeste suas opiniões. É possível ainda fortalecê-las, além de conhecer as perspectivas e pontos de vista de outras pessoas no debate. Para participar basta baixar o app e começar a votar!

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