Como em qualquer bom filme, o vilão em comum une os protagonistas. E, num otimismo que me falta na maioria dos dias, completo o raciocínio com uma forte afirmação: o mundo precisava passar por esta pandemia.

Alguns acreditam que seja a maneira do universo se equilibrar e restaurar suas próprias leis, mas eu não quero romantizar tanto assim. Se você está minimamente observando a profundidade dessa pandemia, já deve ter reparado uma nova forma de agir – com um ineditismo ferramental – da sociedade. As pessoas têm se organizado muito bem pela redes sociais, ajudando o próximo que está em situação desprivilegiada. Esse senso de coletividade das pessoas está sendo um show à parte para passarmos por este momento terrível – passar por este vilão. (Obs: Sim, quem não está sofrendo com o coronavírus é privilegiado ou alienado).

Esta mudança na mentalidade das pessoas não é abrupta, mas ela acelerou muito nas últimas três décadas, desde a invenção da internet “comercial”. Afinal, quando a mídia muda, a comunicação muda. A escrita ampliou a comunicação oral, não havendo mais necessidade presencial para se comunicar; a mídia impressa ampliou e escalou a comunicação escrita. Cada marco desses muda completamente a forma humana de se relacionar.

O que antes era uma instrução de qualquer profissional ou curso voltado à inovação, hoje é a regra e única forma de fazer negócios: voltar-se cada vez mais para atender as dores dos clientes. Nem que, para isso, se criem novas formas de se relacionar com seus clientes, parceiros e todas as partes que possam se interessar. As grandes corporações do mundo todo têm procurado trabalhar cada vez mais criando parcerias e provocando comunidades de startups. É acreditarmos cada vez mais no poder da colaboração para enfrentar os desafios que já chegaram e os que ainda virão.

Infelizmente, muitas novas empresas que estavam dando seus primeiros passos ou, até mesmo, já validadas pelos seus públicos, acabaram se esgotando ou falindo. Elas não estavam maduras o suficiente – seja o próprio produto – ou com fôlego financeiro para passar por essa crise. Mas acredito que possam voltar mais fortes em alguns meses – afinal, resolvem essas dores e necessidades sem ter que replicar modelos antigos extrativistas, na maioria das vezes.

Já temos um breve panorama de como será o futuro do trabalho, com a automatização e inteligência artificial, a robotização. A realidade virtual e aumentada. Transporte “as a service”. Tudo aponta para a população trabalhando menos tempo, de forma remota e, obviamente, em funções de inteligência.

A pergunta é: Como vamos usar nosso tempo livre? Mais tempo ocioso requer mais lazer e entretenimento e incentivo à atividades físicas. Requer mais compromisso com o próximo? Sempre. Poderá ser um caos (pequeno ou grande, depende de nós) em alguns momentos, mas as novas ideias e startups disruptivas que surgirão vão nos ajudar. Nos ajudarão inclusive, a sermos mais humanos novamente.

Os governos terão que se adequar para o novo modelo de administração da sociedade, um modelo “uberizado”, em que se descentraliza o poder, compartilhando a decisão com quem realmente precisa e deve opinar, o povo. Deverá criar esforços econômicos para auxiliar a sociedade com a implementação, até mesmo, da renda mínima universal. Esta já é amplamente discutida e implementada em alguns países.

Essa movimentação só reforça o quanto faz sentido meu projeto atual. O Quinto é uma ferramenta para essa nova sociedade – ele organiza e representa a opinião coletiva das pessoas. Sem viés político, sem viés midiático, sem publicidade, sem vender os dados dos usuários. É o quinto poder, o poder de volta para as pessoas.

Talvez esteja totalmente claro e nem precise ser falado, mas é uma iniciativa “do bem”, sem se preocupar com fazer dinheiro. Isso nos faz brigar diariamente para encontrar soluções e caminhos para o modelo de negócios. Desde nossos atrasos propositais pra não iniciar a monetização, até mesmo nossos esforços de fazer um contrato perfeito, para que os próximos investidores não tenham como influenciar negativamente nossas premissas e missão – nosso propósito. Desde a criação do Termos e Condições de Uso (que é simples e tem 1/5 do tamanho de outros contratos de redes sociais), até nossa transparência com a equipe sobre cada pequeno passo conquistado.

Existem empresas que se esforçam para serem inovadoras e tecnológicas, como as diversas redes sociais que surgem a cada dia e, na maioria das vezes, interessadas apenas em fazer dinheiro. Eu, como um bom aquariano, sempre sonhei em ter/estar em uma dessas empresas inovadoras. O Quinto não precisa se esforçar, ele já nasceu como uma digitalização respeitosa da voz da sociedade, que nem precisará ser a solução definitiva, mas é a ponte atual pra essa evolução democrática.

Talvez a inovação esteja aí, focamos em ser um instrumento pra realizar a evolução da consciência destes tempos tão difíceis e necessários. Esta já é a nova sociedade, mais responsável pelo mundo que vai deixar para as próximas gerações.

É nos momentos de crise que as grandes mudanças acontecem. E não precisamos esconder nosso temor pelo futuro, todos nós que estamos conscientes, temos medo. E tá tudo bem.

Bruno Alves, diretor de operações do Quinto.

Bruno Alves, diretor de operações do Quinto