Desastres naturais causaram medo e prejuízos nas últimas semanas, deixando milhares entre desabrigados e desalojados em São Paulo e Minas Gerais

Todo início de ano é a mesma coisa. Com o verão e o calor excessivo, as chuvas se adensam e diversas cidades do país sofrem com grandes enchentes e inundações. As causas são as mais variadas: assoreamento dos rios, mudanças climáticas, acúmulo de lixo nas ruas, insuficiência de galerias pluviais, falta de estrutura dos municípios, pouca arborização das ruas, entre outras. Com tudo isso, as ocorrências têm se tornado cada vez mais recorrentes e sérias, trazendo desespero e preocupação para quem tem que enfrentar o caos e o medo nos dias de chuva intensa.

O assunto mobiliza os usuários do Quinto que são categóricos ao dizer que o país não está preparado para situações como as que ocorreram em São Paulo nesta semana e em Minas Gerais há alguns dias. 95% de um total de 19.139 pessoas votaram não quando questionadas se o Brasil está preparado desastres naturais.

Somente no estado de São Paulo, de acordo com dados da Defesa Civil, as chuvas desta semana causaram seis mortes. Além disso,  759 pessoas ficaram desalojadas e outras 234 desabrigadas. Para os usuários do Quinto, os temporais também já ocasionaram problemas: 33% disseram ter sido vítimas de estragos causados por chuvas fortes. Nos comentários na área de debates do app, foram citados casos de perda de carros em enchentes e até destelhamento e alagamento de casas.

Pequenas mudanças, grandes consequências

homem segurando saco de lixo

O descarte adequado do lixo é um processo fundamental para evitar enchentes e alagamentos

Mas será que é possível, para o cidadão comum, fazer algo para evitar que os desastres naturais tenham consequências tão devastadoras? Para 72% dos usuários do app, as catástrofes naturais são consequências da ação humana. 22.017 pessoas votaram na pergunta e nos comentários citam atitudes como jogar lixo nas ruas, reciclagem e utilização de produtos que gerem gases causadores do efeito estufa, por exemplo, como motivos de preocupação. A usuária Marta Aurora do Nascimento, 16 anos, de São Paulo, disse, por exemplo, que “basta olhar para as chuvas dos últimos dias, MG e SP estão sofrendo por conta da falta de consciência dos próprios moradores, que não se dispõem a jogar um papel no lixo e jogam em qualquer canto”.

Mas pelo menos entre os usuários do Quinto, essa pequena atitude – que faz uma grande diferença – já demonstra uma mudança de paradigma nesse sentido. 95% das 10.205 pessoas que deram sua opinião na pergunta “Você evita jogar lixo na rua?” disseram que sim. Outros 53% disseram sim também à pergunta “Você recicla seu lixo?”, outra medida importante, que pode colaborar para evitar o entupimento de bueiros e galerias, uma das causas que colaboram para a incidência de alagamentos.

Para a urbanista Alejandra Maria Devecchi, gerente de Planejamento Urbano da Ramboll, multinacional dinamarquesa especializada em consultoria ambiental, que conversou com o Blog do Quinto com exclusividade sobre o tema, todos os cidadãos também podem contribuir aumentando as áreas permeáveis nos seus quintais e calçadas e plantando árvores. Neste quesito, os usuários do Quinto também mostram o seu protagonismo social: 72% responderam que já plantaram pelo menos uma árvore e outros 77% disseram que participariam de ações para o plantio coletivo delas.

Enchentes e alagamentos: responsabilidade de quem?

De acordo com Alejandra, que também atua no Programa ICES (Iniciativa Cidades Emergentes e Sustentáveis), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), as enchentes e alagamentos que ocorreram esta semana em São Paulo são consequência da exaustão de um modelo urbano que considerou o sistema hídrico das cidades como suporte do sistema viário, através da retificação e canalização de rios e córregos para implantação de ruas e avenidas. “Esta solução foi funcional no início do século XX, quando a mancha urbana da Região Metropolitana de São Paulo era aproximadamente de 1/5. Hoje esse modelo não funciona mais. Precisamos mudar de paradigma. Precisamos de soluções radicais”, explicou.

Para ela, a construção desse novo modelo deverá ser pauta de todos os candidatos a prefeitos e pactuado a seguir com a sociedade. “As soluções radicais passam pela formulação de um programa de renaturalização de córregos e rios”, pontua a especialista. Ela cita como exemplo a criação do projeto “Arco Tietê”, no município de São Paulo, que apresenta como solução a desmobilização da marginal Tietê e a implantação de um grande parque linear central num prazo de 20 anos. “O sucesso desta solução seria um estímulo para a replicação dela em todas as geografias”, explica. Em ano de eleição municipal, este é mais um ponto a ser observado pelos cidadãos. E os usuários do app mostram que escolhas corretas podem fazer a diferença nas urnas e consequentemente nos municípios: para 84% o voto pessoal é o que pode fazer a diferença nas eleições.

Mudanças climáticas merecem atenção

pessoa plantando muda de árvore

Arborização urbana se mostra cada vez mais necessária para amenizar os efeitos das mudanças climáticas

Alejandra também alerta para o fato das alterações climáticas serem um ponto de preocupação que deve ser levado em consideração. Ela aponta que, segundo o estudo “Vulnerabilidade das Megacidades brasileiras às mudanças climáticas”, o número de dias com chuvas intensas – acima de 100 milímetros – deve dobrar na capital paulista, por exemplo, nos próximos anos. O estudo é fruto das pesquisas do cientista brasileiro Carlos Nobre, reconhecido principalmente na área dos estudos sobre o aquecimento global.

O aquecimento global é tema recorrente no Quinto e 87%, dos 11.802 usuários que responderam pergunta a respeito, acreditam que ele é uma realidade, enquanto outros 64% responderam sim quando questionados “Você acredita que o aquecimento global vai destruir o planeta?”. A preocupação constante dos usuários do app com o tema enchentes e alagamentos, entre outros desastres, pode ser percebida também nos debates. Um exemplo é a opinião de Rodrigo Bezerra, 25 anos, de Recife (PE). Para ele, “catástrofes naturais sempre aconteceram e continuarão acontecendo, independente da existência de seres humanos, porém a interferência das pessoas aceleram muitos dos processos naturais, causando um aumento de vários problemas, como por exemplo o aquecimento global”.

Debate permanente

No Quinto você encontra estas e outras perguntas sobre os temas citados neste post. Para participar, dar sua opinião e debater sobre elas, basta baixar o app na sua loja de aplicativos e começar a votar!

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mão fechando torneira escorrendo água