Público do aplicativo não abre mão de ver um bom filme nas telonas, mas plataformas streaming vêm ganhando mais espaço e relevância a cada dia

O Oscar 2020 vem aí! Com direito a representante brasileiro entre os indicados, a mais tradicional cerimônia de premiação dos melhores do ano no cinema acontece no dia 9 de fevereiro. E mais uma vez o Oscar promete coroar tanto as obras, quanto atores, diretores e trilhas sonoras, entre outros aspectos, num total de 24 categorias. Mas até chegar a esse momento, com todas as devidas reverências e reconhecimento, um longo caminho precisa ser percorrido. E o mais importante deles é justamente o convencimento da opinião pública (e dos críticos, é claro), o que passa muito pelas preferências, hábitos e experiências dos espectadores.

A sétima arte é tema recorrente dentro do Quinto. O assunto mobiliza os usuários da rede social, que se mostram adeptos da prática de acompanhar os novos lançamentos dentro desse universo. Isso porque nada menos que 79% dos usuários responderam que costumam frequentar salas de cinema. Mas nem só das telonas é feito o que há de melhor no universo dos longa-metragens. Atualmente, as plataformas streaming também concentram muitas superproduções, várias delas tão populares quanto as que são lançadas no cinema. E para o público do Quinto, a obrigatoriedade de veiculação das obras em salas de cinema para participar do Oscar é algo que deveria deixar de existir. São 68% os usuários que opinaram a favor de que filmes que não são exibidos “na telona” possam disputar a premiação, contrariando a regra atual.

estátua do Oscar ao lado de claquete

Atualmente, grandes obras lançadas em plataformas streaming também passam em algumas salas de cinema para poder concorrer ao Oscar

O papel social da sétima arte

Mais do que entreter ou passar conhecimento, os filmes têm potencial de provocar reflexão e até mesmo engajar o público. Não é à toa que 84% dos usuários do Quinto disseram gostar de filmes com forte crítica social. Mas é possível ir além. Há obras tão marcantes que são capazes de alterar a forma como alguém vê o mundo. E nesse sentido, 60% do público do Quinto reconhece que algum filme já mudou a sua vida.

Alerta: spoilers!

A experiência de assistir a um filme, para muitos, é um ritual que requer uma certa preparação. Se atualizar sobre o universo da obra (caso ela seja uma sequência), conferir os trailers e a expectativa do público, ficar por dentro dos bastidores e, em alguns casos, até mesmo comprar o ingresso com antecedência para garantir um bom lugar na estreia. Mas tudo pode ser arruinado por uma simples, mas poderosa, palavra: spoiler.

Há quem prefira ficar longe das redes sociais ou avise os amigos que não quer ser contaminado por qualquer informação que prejudique as surpresas do filme. Mesmo assim, às vezes é inevitável, e para o público do Quinto não é diferente. Ao todo, 59% dos usuários do app confirmam que já tiveram a experiência estragada por spoilers.

Falem bem ou falem mal…

Por outro lado, a opinião alheia não costuma interferir na expectativa dos usuários do Quinto na hora de escolher o que assistir. Isso porque 62% dos usuários da plataforma disseram não se deixar influenciar por críticas negativas a filmes e séries, preferindo tirar as próprias conclusões a partir da experiência pessoal com a obra.

O Brasil nos holofotes de Hollywood

Desde a década de 1920, quando a cerimônia do Oscar passou a acontecer, apenas sete obras genuinamente brasileiras concorreram ao prêmio em alguma categoria. Isso, é claro, sem considerar as coproduções. Neste ano, o documentário “Democracia em Vertigem”, da diretora Petra Costa, entrou na disputa por uma das estatuetas. Para tratar do assunto, o blog do Quinto conversou com o jornalista e crítico de cinema filiado à Abraccine – a Associação Brasileira de Críticos de Cinema – Chico Fireman, que falou sobre a relevância de o setor audiovisual brasileiro contar com uma indicação. e sobre a relação entre o cinema tradicional e os novos meios de se assistir a filmes em diferentes plataformas.

Para Chico Fireman, a chegada de “Democracia em Vertigem” entre os indicados só a aumenta a visibilidade do que é produzido por aqui. “A importância vai além da discussão sobre a qualidade do filme. O fato de ‘Democracia em Vertigem’ estar concorrendo só aumenta as chances do Brasil emplacar mais projetos com participação internacional. E isso e gera interesse pelo cinema brasileiro como um todo”, analisa o crítico. Apesar da participação brasileira na premiação ser relevante para a produção nacional, para o público do Quinto, ainda não será dessa vez que o país trará a estatueta para casa. Isso porque 77% dos usuários do app acham que o filme não vencerá o prêmio de melhor documentário.

“Democracia em Vertigem” foi disponibilizado na Netflix em junho de 2019. E o lançamento de importantes obras nas plataformas streaming apenas reforça a relevância desse modelo de distribuição da sétima arte. A opinião dos usuários do Quinto reflete essa realidade, já que 70% confirmam que assinam pelo menos um desses serviços. “As plataformas de streaming oferecem um espaço importante para que grandes autores possam continuar produzindo e para que projetos que pareciam muito arriscados para os grandes estúdios possam ser viabilizados”, avalia Fireman.

Disputa saudável

pessoa segurando controle passando por canais streaming

Alguns tradicionalistas da indústria batem o pé, mas novas formas de exibição dos filmes pela internet se popularizaram e ganharam o público

Apesar de haver uma certa concorrência entre o cinema tradicional e o streaming – evidenciada pelas críticas de alguns diretores às plataformas de transmissão digital – é praticamente inegável que as novas ferramentas democratizaram e ampliaram o alcance das obras. Para Chico Fireman, de fato existe uma disputa, mas ele a classifica como natural. “O novo é sempre visto como ameaça e leva-se um tempo até que a novidade seja absorvida e a indústria se adapte e a incorpore, o que naturalmente deve acontecer”.

Para o crítico filiado à Abraccine, os mais tradicionalistas podem sentir uma “ameaça” a partir do novo modelo de exibição dos filmes, mas ele cita outras formas de levar o cinema para casa sem que isso tenha comprometido a indústria audiovisual. “A natureza do streaming, que dá a chance ao espectador de ver cinema sem sair de casa, parece um ataque direto ao ato de ir ao cinema, mesmo que a TV, o VHS, o DVD, o home vídeo em geral, nunca tenham decretado a falência da indústria. É possível se adaptar e, em breve, entender o streaming como um braço da indústria, um parceiro, um novo modelo de negócio”, cita Fireman.

O Quinto traz semanalmente novas perguntas sobre entretenimento e diversas outras categorias, além de outras milhares já disponíveis. Agora, por exemplo, você já pode votar se considera que o Oscar ainda é relevante, em meio a críticas por falta de diversidade e perda de audiência. Acesse o app e dê sua opinião!

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homem assistindo televisão fixamente