A opinião dos jovens no aplicativo aponta que 72% não estão satisfeitos com o atual governo e 93% se preocupam com o futuro do Brasil

O que pensam os jovens brasileiros em 2020? De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem 47,3 milhões de pessoas entre 15 a 29 anos. Uma geração que forma as opiniões em meio a uma avalanche de informações, avanços tecnológicos, o temor de uma emergência climática e um cenário de polarização política. Por meio das respostas dos jovens usuários do Quinto (entre 12 e 24 anos), o blog de hoje traz as preocupações, valores e desejos daqueles que serão protagonistas das mudanças nas próximas décadas.

Bolsonaro representa a opinião dos jovens brasileiros?

A política é um dos pontos que desperta a atenção dos jovens usuários do app. 91% deles dizem, por exemplo, se preocupar em escolher candidatos ficha limpa na hora do voto. A maioria também se mostra insatisfeita com a atuação do governo Bolsonaro, que entra no seu segundo ano de mandato. Em resposta à questão “Você está satisfeito com o governo Bolsonaro”, 72% disseram que não.

 

Convidada para avaliar as respostas dos jovens às perguntas do Quinto, a professora, mestre em comunicação e cultura pela Universidade de Sorocaba e doutoranda pela Unicamp, Thífani Postali, acredita que essa insatisfação pode estar ligada à figura do presidente, seu autoritarismo, acusações de corrupção na família e suas declarações polêmicas.

 

Muitas das opiniões expressadas por Bolsonaro são contrárias às demonstradas pelos jovens no app em temas como meio ambiente, legalização do aborto e do uso de maconha, além do apoio às causas LGBT, observa Thífani, cujo trabalho acadêmico tem ênfase nos Estudos Culturais. “O presidente acaba se colocando de forma que não representa o jovem, acho que está muito além do autoritarismo, está no olhar de uma figura que não representa mesmo a juventude”, avalia ela.

Opinião dos jovens demonstra valores menos conservadores

 

Jovem exibe a bandeira LGBT

Acesso à informação faz com que jovens tenham mais conhecimento sobre assuntos antes vistos como “tabu”

 

Outros temas que mobilizam os jovens do Quinto são os relacionados às liberdades individuais. E, se depender da opinião deles, a flexibilização das legislações que as regulam seria uma realidade. Quando perguntados se são favoráveis à legalização do aborto, por exemplo, 68% dizem sim, mesmo resultado à pergunta que questiona quem é a favor da legalização da maconha para fins recreativos: 68% são favoráveis.

 

Os jovens também se mostraram menos conservadores no quesito diversidade sexual e mais propensos a apoiar minorias. Para a pergunta “Você apoia a luta LGBT?”, 84% disseram sim. Quando o assunto são as políticas afirmativas, 63% disseram ser favoráveis às cotas em universidades públicas. “Acredito que os jovens estão menos conservadores, uma vez que há mais informações sobre vários temas considerados tabu na sociedade. Então, para quem está disposto a pesquisar, a internet é uma ferramenta gigantesca de informações”, explica a professora. A observação de Thífani é refletida em outro dado do app: 84% dos jovens do Quinto discordam que o mundo sem internet seria melhor.

O futuro é dos jovens?

O futuro do Brasil também motivo de preocupação para 93% dos jovens usuários do Quinto. Quando a questão é o meio ambiente, o mesmo percentual, 93%, acreditam no aquecimento global. E no quesito informação, 88% dizem que não compartilham notícias de política sem checar. Embora os dados demonstrem na opinião dos jovens há a necessidade de mais atenção ao meio ambiente, de um cenário político mais ético e se preocupem com o futuro, é preciso ainda saber qual será o nível de engajamento dessa juventude para pôr em prática esses valores. Apenas 42% afirmam, por exemplo, que reciclam seu lixo.

 

O ímpeto de mudança da juventude enfrentará ainda um outro desafio: a saúde mental. Afinal de contas, para salvar o mundo é preciso antes salvar a si mesmo. E quase um quarto – 23% – dos jovens no Quinto revelam tomar ou já terem tomado antidepressivos. Para a professora, essa situação é reflexo do meio em que os jovens vivem, de uma rotina agitada e até mesmo da liberdade proporcionada pela internet, onde as opiniões são expressas com menos pudor. “Estamos em um momento em que as intolerâncias estão se mostrando com mais liberdade, então isso acaba refletindo na sociedade de forma geral. O que reflete em um número grande de jovens que estão com depressão, crise de pânico e ansiedade”, observa a especialista em estudos culturais.

 

Construção da opinião coletiva é contínua

Saber como pensa o jovem é muito importante para o Quinto e sua missão de representar a opinião coletiva da sociedade, por isso o app segue recebendo votos, ideias e fomentando o debate das questões contidas nesse post e muitas outras. Para participar, basta baixá-lo e começar a votar!

 

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